educação
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Medo, preocupação e nervosismo fazem parte da infância. É natural que uma criança fique ansiosa antes do primeiro dia de aula, de uma apresentação ou diante de alguma mudança importante.
Entretanto, quando esses sentimentos são muito intensos, aparecem constantemente ou começam a prejudicar o sono, a escola, as brincadeiras e a convivência familiar, precisam receber mais atenção.
A ansiedade não deve ser tratada como “manha” ou falta de vontade. A criança pode ainda não saber identificar ou explicar o que está sentindo. Por isso, cabe aos adultos observar seu comportamento, acolher suas emoções e procurar ajuda quando necessário.
A ansiedade é uma reação do organismo diante de situações percebidas como desafiadoras, novas ou ameaçadoras. Em determinadas situações, ela é esperada e pode até ajudar a criança a se preparar para algo importante.
O problema acontece quando a preocupação se torna excessiva, persistente ou desproporcional à situação.
De acordo com a Sociedade Brasileira de Pediatria, medos intensos, irritabilidade, mudanças de comportamento, dificuldades escolares e problemas para dormir podem ser sinais de alerta, especialmente quando interferem na rotina da criança. Sociedade Brasileira de Pediatria
A ansiedade nem sempre aparece por meio de uma fala clara, como “estou ansioso”. Muitas vezes, a criança demonstra o que está sentindo por meio do corpo ou de mudanças no comportamento.
Observe a frequência e a intensidade de sinais como:
Um sinal isolado não confirma um transtorno de ansiedade. É necessário considerar a duração, a intensidade, o contexto e quanto isso está interferindo na vida da criança. Somente um profissional pode realizar uma avaliação adequada.
Reserve um momento para ouvir a criança com atenção. Evite interromper, corrigir ou dizer frases como “isso não é nada”, “pare de pensar nisso” ou “não precisa ter medo”.
Em vez disso, experimente dizer:
“Eu percebi que isso deixou você preocupado.”
“Você quer me contar o que aconteceu?”
“Estou aqui para ajudar.”
Acolher não significa concordar com todos os medos. Significa mostrar que a criança pode falar sobre o que sente sem ser julgada.
Crianças pequenas podem ter dificuldade para diferenciar medo, tristeza, raiva e ansiedade.
Converse sobre os sinais que aparecem no corpo: coração acelerado, mãos suadas, barriga dolorida ou vontade de chorar. Livros, desenhos e brincadeiras também podem ajudar a criança a dar nome às emoções.
Convide a criança a inspirar lentamente pelo nariz e soltar o ar devagar pela boca. Você pode transformar o exercício em uma brincadeira:
“Vamos cheirar uma flor e depois soprar uma vela?”
Faça algumas repetições sem exigir que ela “pare de sentir” imediatamente. A respiração pode ajudar a reduzir a agitação, mas não substitui acompanhamento profissional quando os sintomas são persistentes.
Horários mais consistentes para acordar, comer, estudar, brincar e dormir proporcionam segurança e previsibilidade.
Um quadro de rotina pode ajudar a criança a visualizar o que acontecerá durante o dia, acompanhar suas atividades e se preparar para mudanças.
Quando algo diferente estiver previsto, avise com antecedência e explique o que acontecerá de maneira simples.
Antes de uma mudança de escola, consulta médica, viagem ou evento importante, conte à criança o que ela encontrará.
Use informações adequadas à idade e evite prometer que nada dará errado. Uma mensagem mais realista seria:
“Pode parecer diferente no começo, mas estaremos juntos e você poderá pedir ajuda.”
Brincar é uma forma importante de expressão durante a infância. Separe momentos para atividades como:
Essas atividades não devem ser apresentadas como uma obrigação, mas como oportunidades de descanso, conexão e expressão.
Correr, caminhar, andar de bicicleta, dançar e praticar esportes adequados à idade podem fazer parte de uma rotina saudável.
A atividade escolhida deve ser agradável para a criança e não representar mais uma fonte de cobrança ou competição.
O sono insuficiente pode aumentar a irritabilidade e dificultar a regulação emocional.
Procure manter horários regulares, criar um ritual tranquilo antes de dormir e reduzir estímulos perto do horário de descanso. Caso a criança apresente insônia ou pesadelos frequentes, converse com o pediatra.
Expectativas muito altas em relação às notas, aos esportes ou ao comportamento podem intensificar a insegurança.
Valorize o esforço, o aprendizado e o progresso. Reforce que errar faz parte do desenvolvimento e que o amor da família não depende de resultados.
As crianças observam como os adultos reagem aos problemas. Procure falar sobre suas próprias emoções de maneira equilibrada e demonstrar estratégias saudáveis para lidar com momentos difíceis.
Em vez de esconder completamente o que sente, você pode dizer:
“Eu estou preocupado, então vou respirar, organizar meus pensamentos e pensar no que posso fazer.”
Algumas atitudes podem fazer com que a criança se sinta ainda mais insegura:
O equilíbrio está em acolher a emoção e ajudar a criança a enfrentar os desafios gradualmente, com segurança.
Procure orientação de um pediatra, psicólogo infantil ou psiquiatra da infância e adolescência quando os sinais:
Buscar ajuda não significa que a família falhou. A avaliação profissional permite compreender o que está acontecendo e definir o cuidado adequado para cada criança.
Diante de falas sobre morte, automutilação, desejo de desaparecer ou qualquer risco imediato à integridade da criança, procure atendimento de urgência. Mudanças significativas de humor e comportamentos de risco exigem atenção imediata.
Uma rotina visual não elimina a ansiedade, mas pode tornar o dia mais previsível. Quando a criança consegue acompanhar suas atividades, ela entende melhor o que precisa fazer e o que acontecerá em seguida.
O Quadro de Rotina Diário da Fabee pode auxiliar na organização de tarefas como acordar, escovar os dentes, estudar, brincar e preparar-se para dormir.

A ansiedade infantil precisa ser observada com carinho e responsabilidade. Escutar, validar os sentimentos, manter uma rotina saudável e oferecer segurança são atitudes importantes no dia a dia.
Cada criança reage de uma forma. Por isso, evite comparações e procure respeitar seu tempo. Quando os sintomas persistirem ou interferirem em sua rotina, não hesite em buscar ajuda especializada.
Um super beijo,
Fabee
Este conteúdo possui caráter informativo e não substitui avaliação ou orientação de profissionais de saúde.